domingo, 23 de novembro de 2014

Operação Urano e cerco do exército nazista



A Operação Urano foi realizada com sucesso em 19 de novembro de 1942 durante as intensas batalhas na cidade imortal de Stalingrado. Importantíssima para o desafogo da cidade e principalmente o cerco dos exércitos nazistas, foi uma das operações militares melhor vitoriosas na Segunda Guerra.
Contando com escassos recursos desde meados de agosto, o Marechal Paulus não se mantinha mais assim como seu exército de pé, em novembro a situação beirava o caótico em meio ao rigoroso inverno e as batalhas ora com o Exército Vermelho, ora com as milícias e ninguém nunca ganhava a batalha, ficando numa frente praticamente estática.
Mal protegida no início de novembro a frente alemã contava apenas com sobras, embora houvesse homens o suficiente para tomar a cidade. Mas os exércitos que protegiam o quartel alemão eram muito fracas, apenas pelotões e com unidades romenas, húngaras e italianas. Os alemães preparavam uma ofensiva para o inverno tencionada por Hitler. No entanto a ofensiva não aconteceu.
Situação da frente em Stalingrado em novembro de 1942
Aleksander Vasilievsky e o Marechal Giorgy Zhukov líderes das forças soviéticas planejaram no fim do outono um plano para a captura do 6º Exército da Wermacht por meio de um cerco que seria efetuado durante o inverno. O plano seria manter as tropas germanicas em Stalingrado combatendo enquanto efetuava cerco da cidade a fim de impedir a entrada de recursos aos exércitos nazistas.
Em 19 de novembro tem início o cerco que os romenos preveram e pediram apoio do quartel, mas este não os envia nada. Pouco a pouco a cidade é cercada.
Em 20 de novembro as forças romenas foram esmagadas junto a algumas italianas e húngaras. Os exércitos do norte e sul se encontram em Kalach, 50 km de Stalingrado, o cerco foi feito, a Operação Urano estava consumada e vitoriosa. A partir dali seria questão de tempo para os nazistas se renderem.
Os nazistas ainda tentam a tática de ponte aérea para recursos, mas foi falha não só pelo tempo, mas a Força aérea Vermelha que destruía qualquer Luftwaffe que se avizinhasse na região. Mas desafio maior seria para os soviéticos conseguirem retirar os nazistas forçando-os a rendição, pois na cidade havia milhares de civis ainda ao lado de prisioneiros, é por isso que não foram feito bombardeios sobre a cidade por parte dos soviéticos.
 Essa foi somente uma das mais impressionantes vitórias do Exército Vermelho em Stalingrado e na Grande Guerra Patriótica, a Operação Urano em sí é considerada uma das mais bem planejadas de todos os tempos. E todas as gratidões possíveis merecem ser dadas aos soviéticos que resistem em Stalingrado, ao Exército Vermelho e aos líderes militares, Aleksander Vasilievsky e Marechal Zhukov, os mentores da operação.











quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A Batalha de Moscou Parte II: A parada de 7 de Novembro de 1941


Um dos momentos mais incríveis da história e também de maior ousadia em todas as guerras ocorreu exatamente em 7 de novembro de 1941. Foi o dia da Parada da Vitória da Revolução de Outubro de 1917 em plena Grande Guerra Patriótica.
Para a mente dos milhares que acompanharam no rádio de suas casas no inverno, ou mesmo dos veteranos desta marcha, foi um dia inesquecível. A quatro meses que os soviéticos vinham combatendo os nazistas, apesar de um avanço lento e quase sendo paralizados em Smolensk, os nazistas ainda avançavam havia um enorme pânico em Moscou, especialmente entre os líderes do Partido, no entanto nem todos se amedrontaram, grande parte do povo moscovita se recusou a sair da cidade e ficou para resistir numa atitude semelhante a do Secretário Geral Josef Stálin.
Embora os nazistas avançassem com dificuldade e o Exército Vermelho pouco a pouco desde meados de setembro estivesse equilibrando a batalha, a máquina de guerra nazista ainda era superior devido sua preparação anterior de anos a mais para a industria da guerra.

Em novembro

Em novembro de 1941 a situação não era fácil da na URSS como já foi dito antes, Leningrado estava num cerco e sem comunicações, as outras cidades antes de Moscou haviam todas caído, Smolensk foi a última cidade importante, e quando ocorreu isso muitos político na capital fugiram e até mesmo cogitaram a possibilidade de mudar a capital para uma região no além dos Urais. Mas nem todos o fizeram, Stálin foi um desses.
Na contramão, Stálin declarou que ficaria na cidade até ser o último a cair, essa prova de bravura do dirigente soviético pouco exaltada na historiografia ocidental pouco é comentada, e é a grande prova de honra não só de Stálin em relação as nações da URSS, mas de confiança no seu exército e novo Marechal, o russo Giorgy Zhukov em lugar do Voroshilov.
Marechal desde os tempos da Guerra Civil Voroshilov era o militar de confiança do Partido Comunista da União Soviética, embora sua honra e patente não o garantam, suas falhas nas retirada de populações em certas regiões além da condução de guerra contra a Finlândia o levou a mudança no Comissariado da Defesa para dar lugar ao brilhante e talentoso Zhukov que seria o responsável pela defesa de Moscou.
Mas os exércitos nazistas estavam já as portas de Moscou e a defesa portanto teria de ser bem organizada não só pela população como pelo exército e os políticos em Moscou. Porém houve um problema, e este era em relação a uma velha tradição soviética de fazer paradas em homenagem a Revolução de Outubro em todo o ano no dia 7 de novembro, data da tomada do poder pelo proletariado. A Parada deveria ser cancelada devido aos ataques de Hitler?

 A Parada de 7 de novembro

Enquanto a campanha soviética enfatizava a resistência do povo moscovita e a preparação para a guerra que se aproximava, e Stálin fazia com Zhukov os preparativos da defesa de Moscou, a propaganda nazista glorificava a vitória certa e a queda de Moscou anunciando que cairia no exato dia da vitória do bolchevismo no país, e que significaria a derrota de outubro. Apesar de ser uma campanha fantástica, Adolf Hitler fez questão de que fosse exatamente em 7 de novembro que a invasão massiva sobre a capital fosse feita.
Stálin e o PCUS com os seus informantes claramente sabia da situação, e que fariam de tudo, jogariam todas as cartas para capturar a capital, era necessário resistir, mas mais do que isso, mostrar forças, e foi o que a URSS fez. Stálin que recebeu incessantes pedidos para cancelar a Parada de 7 de Novembro recusou-se a essa humilhação, e deixou intacta numa da maiores demonstrações de ousadia em guerras, e mais não deixou sós os soldados na Praça Vermelha, os acompanhou toda a parada e discursou durante aproximadamente 7 minutos.
Foi um dos momentos mais gloriosos da história, pois após marcharem os soldados iam para guerra lutar com os nazistas. Foi uma demonstração não só de resistência, como também de vitória do povo soviético que se materializaria em dezembro do mesmo ano. E aqueles que lá estiveram presentes, só eles sabem a honra histórica daquele momento no papel da motivação frente a guerra com os nazistas, foi ali que se iniciou o primeiro triunfo da Grande Guerra Patriótica.
Segue-se a seguir o discurso de Josef Stálin, Secretário Geral do PCUS na íntegra.









quinta-feira, 16 de outubro de 2014

70 anos da libertação da Sérvia pelo Exército Vermelho





No próximo dia 20 de outubro, completar-se-á sete décadas da libertação por parte do Exército Vermelho da cidade de Belgrado, capital da Sérvia, importantíssimo Estado hoje parceiro da Federação Russa. Naquela ocasião a libertação da Sérvia foi importante e deixou de forma bem latente assim como mais uma derrota dos nazistas frente aos Partizans que seu império estava ruindo
Embora não faça parte da URSS, a Yugoslávia era parte de mais um objetivo para libertação na Grande Guerra Patriótica, pois o povo irmão, os sérvios viveram sob uma cruel ditadura do nazifascista líder da Ustasha, Ante Pavelic que como uma marionete da Alemanha Nazista praticou inúmeros crimes hediondos demais na Sérvia.
Até 1941 a Iugoslávia que era um jovem Estado formado logo após a Grande Guerra de 1914-1919 se via em contradições internas entre as nacionalidades, os croatas que eram católicos eram simpatizantes ao nazi-fascismo, enquanto os sérvios eram ortodoxos, mas não simpatizantes ao governo soviético, embora eslavos, o que os deixava em posição inferior na cadeia de raças dos nazistas. Embora o Estado fosse uma monarquia todas essas contradições e pressões foram enormes sobre o rei.
Em 1941 o reino é invadido, a Croácia contribui para a ocupação nazista enquanto o rei foge para Londres assim como todos os demais líderes de Estados invadidos e ocupados pela Alemanha Nazista no leste. A Croácia submete um reino de terror em toda a Iugoslávia, milhares de eslavos passaram a ser mortos, outros forçados a converterem-se ao catolicismo com o envio de milhares de padres sob a orientação de Pio XII para a conversão dos eslavos.
O governo croata recebia apoio tanto do governo nazista como da própria Igreja Católica, John Cornwel em seu livro o Papa de Hitler, discorre bem do assunto  assim como muitos outros pesquisadores. Santiago Camacho, por exemplo, fala em inquisição católica em pleno século XX. Pois o Papa chegou mesmo a receber a Ante Pavelic em Roma onde recebeu a missão de converter os eslavos durante a Grande Cruzada Contra o Bolchevismo.
No entanto as derrotas sucessivas para a URSS acumuladas entre 1941 e 1943 fizeram estremecer o domínio nazista na região. O Cardeal-arcebispo Alouysios Stepinac percebendo tal tenta um acordo com a Igreja para inocentar-se e muda de lado no conflito sob orientação papal. No entanto anos depois Tito revelaria os crimes dos católicos na região embora jamais tivessem sido reconhecido.
Jozip Broz, Tito que já havia lutado na Guerra Civil Espanhola contra as forças nazi-fascistas entre 1936 e 1939 também formou uma coalizão anti-ocupação na Iugoslávia e teve sucesso com o surgimento dos Partizans sob sua orientação, embora não lutassem sós, tinham apoio logístico e material tanto da URSS quanto dos ocidentais, pois recebeu apoio do rei iugoslavo Pedro II, embora logo depois abolisse a monarquia no Estado.
Logo após a libertação da cidade de Sófia em 9 de setembro de 1944, o Exército Vermelho partia em direção a Iugoslávia com o já estabelecido governo democrático popular búlgaro. No entanto não seria uma batalha fácil, pois os húngaros eram os únicos ao lado dos croatas ainda presentes ao lado da Alemanha nazista m fins de 1944 na Europa excetuando-se a Itália. A fortaleza construída em Belgrado foi para uma resistência longa conta o João Claudio que:

''No dia 12 o avanço rumo a Belgrado recomeçou com força máxima. O inimigo gozava de grande poder de artilharia e lutava com fúria. O terreno próximo ao Monte Avala, nas cercanias da capital era pantanoso, causando dificuldade à progressão''

(PITILLO, João Claudio Platenik. Aço Vermelho- Os segredos da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial

E mais o comando nazista temendo pelo pior ainda decretou sítio na capital Iugoslava, um verdadeiro terror instaurou-se na cidade. E embora contasse ainda com a ajuda dos húngaros o governo de Pavelic já não tinha sustentação dos nazistas que no fim de 1944 protegiam suas bases petrolíferas restantes na Hungria sob o regime de Horthy. Não seria fácil uma vitória em Belgrado e realmente não foi.
Com a estratégia do salve-se quem puder, os exércitos nazistas bateram em retirada. No dia 15 de outubro Belgrado ainda não estava livre, por isso a luta se arrastou por mais 5 dias. Somente em 20 de outubro os Partizans de Tito adentram Belgrado abandonada e enfraquecida. Neste dia foram feitos vários prisioneiros que se renderam. Pavelic fugiu para Áustria enquanto os demais fugiram ou foram capturados e presos pelos partizans. Mesmo assim muitos se esconderam e fugiram entre os nazistas da Ustasha.
A libertação da Iugoslávia em 1944 custou caro ao Exército Vermelho, só para a libertação da Sérvia oriental custou 3.500 soldados mortos e 4.500 feridos. Mesmo assim foi muito importante na Grande Guerra Patriótica, a libertação da Sérvia foi uma das mais importantes, visto que desestabilizou os Bálcãs e forçou os nazistas a recuarem para o norte na Áustria e o oeste da Hungria.












quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Batalha de Moscou Parte I: Operação Tufão






Essa será a primeira de uma série de três postagens da batalha mais importante da Grande Guerra Patriótica, conforme destacado, esta primeira será especificamente focada na Operação Tufão. Denominada assim para que fosse rápida e arrasadora sobre Moscou, seus objetivos eram principalmente cercar a cidade e capturá-la em um mês no mínimo, o que não ocorre, pois a cidade resistiu e o inverno chegou. Paralisando as operações de guerra, fazendo a resistência da cidade a primeira derrota da Blitzkrieg nazista de grande importância, visto que falha em seu objetivo de capturar Moscou.
A Operação Tufão teve início oficialmente em 1 de outubro de 1941 quando as tropas de Fedor Von Beck que faziam parte do grupo de exércitos do centro partem para Moscou após a queda de Smolensk.
Como foi colocado no post anterior, Smolensk era uma cidade chave, sua captura abria caminho para as portas de Moscou, para Hitler embora fosse custosa a vitória em Smolensk, acreditava que os soviéticos já não possuíam mais exércitos e nem organização capaz de defender Moscou, a sua euforia como a de muitos nazistas era enorme.
Já em Smolensk e em outras cidades na Bielorrússia havia sido latente que os nazistas não teriam capacidade de vencer sós, pois o Japão que tinha a missão de invadir a União Soviética pela Manchúria não o fez no extremo oriente, o que deixava o Estado lutando em só uma frente e garantia toda a força concentrada contra os nazistas. A resistencia em Smolensk comprovou que a máquina nazista não era invencível e irresistível, podendo ser parada e vencida, visto que houve um contra ataque embora sem muito sucesso do Exército Vermelho.
Em outubro, em Moscou não se falava e nem pensava em outro assunto a não ser a aproximação dos nazistas, todos estavam em pânico, embora a propaganda do Partido Comunista procurasse acalmá-los, mesmo assim a população se preparou para a batalha pela defesa da capital, foram construídas inúmeras barricadas, voluntários de todas as Repúblicas Socialistas Soviéticas juntavam-se aos russos nessa decisiva batalha pela vida da própria URSS.
No dia 15 começam os bombardeios a capital , a primeira a sofrer bombardeio é a região de Volokolamsk que se localiza no Oblast moscovita. A defesa nessas regiões foi heróica, Ivan Panfilov foi um destes heróis que lutaram com bravura na defesa de Moscou, por sua vez designado para a defender Moscou, Giorgi Zhukov foi nomeado marechal.
Zhukov com o Komsomol foram os principais responsáveis pela organização da defesa em Moscou, foram feitas várias barricadas nas cidades próximas ao Kremlin, milícias locais de voluntários foram criadas, mesmo assim muitos locais foram evacuados e a muita gente foge da cidade temendo a invasão alemã e queda de Moscou. Inclusive o governo que passou para a parte leste da cidade de Kuybychev (Atualmente Samara). No entanto alguns membros do Partido e mais corajosamente Stálin se mantiveram na capital soviética e resistiram vitoriosamente.
As principais forças de defesa da URSS presentes na capital eram a Frente Ocidental Soviética, Frente de Reserva, Frente de Briansk e Frente Kalinin. Todas estas liderados por Giorgi Zhukov, Aleksander Vassilievskiy, Bóris Shaposhnikov, Ivan Konev, Yakov Tcherevchenko e outros. Todos condecorados como heróis com todas as honrarias possíveis a qualquer um bravo herói na URSS.
A população moscovita resistiu ainda mais heroicamente e em condições muito precárias devido a falta de telecomunicações e a chegada do inverno, embora não tivesse faltado energia na cidade, os alimentos e outros recursos foram racionalizados por pelo menos 2 meses, entre novembro e dezembro. Embora tivesse sido tempos difíceis, o povo moscovita foi bravo e resistiu com bravura talvez nunca antes vista na URSS desde a Guerra Civil entre 1918 e 1920.
A vitória foi alcançada em dezembro após uma ofensiva feita pelo Exército Vermelho liderado por Zhukov e de quebra retirou a ameaça da queda da capital perante os nazistas. Essa foi a primeira derrota dos nazistas. Stálin notadamente em 7 de novembro havia dito com toda a boa fé que a vitória do Exército Vermelho seria certa devido ao desgaste dos nazistas, e estava correto. Seu acerto foi tão enorme que pode mesmo presenciar os frutos de seu discurso ao vivo, o que é para poucos.
















domingo, 28 de setembro de 2014

Smolensk: A cidade russa que comemorou a sua libertação no dia de seu aniversário






Durante a última semana, em 25 de setembro de 2014, a cidade de Smolensk, localizada na Federação Russa atualmente acabou de completar dois aniversários, o primeiro se trata da fundação da cidade, e o segundo se trata da libertação da cidade ocorrida em 1943.
Smolensk a muito tempo já era foco de conflito entre os russos e demais povos situados em suas fronteiras, era uma das cidades chave na região mais a oeste da Rússia em certas épocas, e usada sempre como posto avançado de resistência. Na Grande Guerra Patriótica não seria muito diferente, pois era a única grande cidade soviética situada antes de Moscou, e na direção da capital da União Soviética. Ou seja lá uma resistencia seria imprescindível para a capital e portanto mesmo libertá-la da ocupação nazista era necessário.
Nos primeiros meses da Operação Brabarrossa Smolensk foi capturada, embora de forma implacável e difícil devido a resistencia fornecida pelos soviéticos na cidade que jamais admitiram a ocupação por completo da cidade. Param três meses para capturar uma só cidade, um ato muito heróico e que merece ser lembrado, todos os cidadãos desta cidade sabiam muito bem que passasse qual dificuldade que fosse tinham de resistir, estavam na última barreira antes de Moscou.
Os dois anos de ocupação da cidade jamais foram tranquilos, sempre houve os saboteadores e os Partzans que atormentavam aqueles que se estabeleciam na cidade, o Komsomol teve um papel dos mais importantes para isso, não é a toa que muitos de seus integrantes recebem medalhas de heróis e heroínas da URSS posteriormente.
O Exército comandado pelo general Rakutin resistiu heroicamente o quanto pode e evitou a ofensiva rumo a Moscou durante muito tempo.
Em 1943 a situação era outra, com as vitórias em Stalingrado e as ofensivas já tomando o seu curso, libertar Smolensk era importante para reestabelecer comunicações e uma cabeça de ponte para a libertação da Bielorrússia que viria se concretizar um ano depois de muitas batalhas. A libertação de Smolensk ocorre devido a própria população que constantemente sabotava as comunicações alemãs e formou guerrilhas para combates. Embora exista tudo isso, a libertação foi gradual e de forma demorada, só em setembro possuía-se condições para a libertação da cidade que foi concluída no exato dia de seu aniversário.
A libertação de Smolensk que se deu em 25 de setembro de 1943 sempre será e foi comemorada entre seus habitantes, um dia para jamais ser esquecido, pois é de dupla comemoração dos cidadãos que merecem duplamente parabéns por sua luta e de seus antepassados juntamente com os demais soviéticos na Grande Guerra Patriótica. Segundo alguns dos historiadores militares mais importantes, a libertação de Smolensk foi o começo da marcha do Exército Vermelho que só terminaria em Berlimno ano de 1945.










domingo, 21 de setembro de 2014

A libertação de Tallin em setembro de 1944


Tallin em setembro de 1944 já estava ocupada pelos exércitos nazistas da wermacht a aproximadamente quase 3 anos, desde o início da Operação Barbarrossa, e uma das primeiras cidades soviéticas de grande importância a ser ocupadas.
Cidade quase milenar e uma das mais antigas na Europa moderna e contemporânea, Tallinn é uma cidade portuária e importantíssima frente ao Golfo da Finlândia. Ocupada durante anos pelo Império Russo desde a Grande Guerra do Norte a presença germânica nesta assim como em todas as Repúblicas atuais no Mar Báltico é muito forte.
No fim da Primeira Guerra Mundial após a Revolução Russa a Estônia manteve-se assim como os demais países Bálticos como redutos que sobraram dos russos brancos. Grande parte da liderança destes países, e pode-se dizer o mesmo também da Finlândia exerciam altas funções no governo monárquico do Czar Nicolau II e tinham ainda o sonho da restauração da Rússia e a derrubada dos bolcheviques do poder, aclamados como criminosos e usurpadores do poder na época, nunca foram chamados de soviéticos antes da segunda guerra, sempre foram chamados de russos vermelhos, ou russos soviéticos esquecendo-se das demais nacionalidades como já dito em outras postagens.
Com o Pacto de não agressão germano-soviético de 1939 em virtude do perigo de uma guerra iminente com Hitler, Stálin havia preparado em volta de toda a fronteira soviética com os nazistas defesas e fortes para resistirem o quanto pudessem os ataques alemães, no entanto havia 2 perigos, um nos Estados Bálticos e outro na Finlândia, pois ambos eram redutos de risco de ataque visto que todos os governos eram ou tinham simpatias aos fascistas.
Em meados de 1940 com a latente ascensão do fascismo e o perigo de tomarem poder como foi na Letônia, os estonianos buscam o combate ao fascismo que ganhava muita força na região, os comunistas estonianos lideram então o povo rumo a novas eleições onde os comunistas por meio de um referendo nacional popular revolucionam o país de forma radical. A Estônia neste referendo adere a URSS com o status de República Socialista, quanto as demais Repúblicas, a Lituania desde 1918 mantinha laços com a URSS e só não torna-se parte desta em virtude de setores conservadores que existiam em um governo instável semelhante ao letão, no entanto a divisão interna levou a muitos opositores dos comunistas a se apoiarem nos nazistas e com o perigo de invasão nazista em 1939 e 1940, o governo passa para ação direta e pede proteção a URSS. Já a Letônia que já era uma ditadura desde 1934 com a ascensão de Karlis Ulmanis ao poder viu-se isolado já que grande parte da população apoiava os soviéticos, retirou-se do poder e apoiou os nazistas na guerra posterior, seu neto inclusive torna-se líder da Estônia pós-soviética na década de 1990.
Com a Operação Barbarrossa em andamento rapidamente a Estônia foi ocupada com a colaboração de muitos antigos líderes do exército branco. Johan Pitka foi um dos principais colaboradores da ocupação alemã que recebe ajuda fraternal dos estônianos no estrangeiro após a adesão da Estônia a URSS em 1940. A região foi uma das principais pontas de lança para os ataques ao norte da URSS, a região de Leningrado e mesmo o cerco da cidade se deu pela ofensiva nazista apoiada pelos nazistas estonianos.
Em 1943 após a derrota dos exércitos nazistas no Sul, Stalingrado, centro Bielorrússia e Ucrânia, em 1944 o norte era o objetivo principal de libertação especialmente Leningrado que já resistia heroicamente três anos de cerco. Libertada em 27 de janeiro de 1944 pelos líderes militares do Exército Vermelho Kliment Voroshilov, Giorgi Zhukov e Leonid Govorov seguiram a ofensiva rumo a libertação dos países bálticos para a libertação destes ainda em 1944. No entanto a tarefa não seria simples visto que o grupamento norte da Wermacht sediada no Báltico tinha ainda apoio da Finlândia.
Durante os anos de ocupação nazista o terror foi instaurado na região, além de líderes comunistas terem sido perseguidos, muitos estonianos que se consideravam da raça ariana perseguiram os russos, bielorrussos e poloneses que habitavam no Mar Báltico e na Estônia. Praticou-se largamente o extermínio de grande parte da população local, visto que muitos eram russos ainda nesta época, nos anos de 1941 e 1942 a ordem era colonizar estas regiões que fariam parte do ''espaço vital alemão''. Por isso muitos alemães lá permanecem mesmo após a guerra, não somente na Estônia como Letônia e Lithuania, para facilitar a administração local foram fundadas em todos os territórios ocupados várias divisões da Shutsztaffel(SS), na Estônia por exemplo foi fundada a 20º Divisão de garnadeiros da Waffen SS ou 1º Divisão Estoniana.
A 20º Divisão de granadeiros da Waffen SS era constituído não só por estonianos colaboracionistas, mas
também por lithuanos e outros combatentes que faziam parte desta divisão semelhante a Divisão Azul constituída por portugueses e espanhóis que lutaram no cerco de Leningrado. Mas diferentemente deles, esta 20º Divisão não pertencia a qualquer país como alegam muitos estonianos, mas a Alemanha nazista que fundou esta divisão para combater neste local comunistas e a população que resistisse a ocupação. Seu líder era Franz Augsberger que havia apoiado a Anexação da Áustria em 1938, Anchluss.
Na Batalha de Narva quando Govorov entrou na Estônia a 20º Divisão defendeu a região sob a bandeira de independencia estoniana, mas como não havia líder de Estado e esta era uma República Socialista Soviética que aderiu a URSS em 1940 a luta deveria continuar até a expulsão dos nazistas, pois era território soviético. Liderados por Johan Pitka que havia sido um marinheiro importante durante o Czarismo, e lutou como russo branco na guerra civil, a divisão ''estoniana'' das SS foi fácilmente derrotada devido a seu pequeníssimo contingente militar que também não era um dos melhores.
Em agosto de 1944 numa tentativa de assegurar a paz com a URSS o governo colaboracionista proclama a independencia da Estônia como governo fantoche dos nazistas a fim de conseguir a paz semelhantemente a Finlândia e garantir no poder o presidente estoniano Juri Uluots. No entanto fracassada esta manobra dos líderes locais garantiu mais uma derrota aos fascistas. Uluots foge covardemente para a Suécia e quanto a Johan Pitka, este acaba fugindo para a Finlândia, aonde se exila até morrer no mesmo ano de 1944 sem mesmo que a União Soviética soubesse do acontecido.
Em setembro de 1944 o governo local dos nazistas se retira de Tallin e deixa só não somente a 20º Divisão com poucas tropas para a defesa da capital como deixa sós os líderes da Estônia que já haviam sido abandonados por seus próprios líderes, com o apoio da população local nas contra informações a favor dos soviéticos rapidamente tomaram a decisão de capturarem Tallin que era o principal reduto dos Exército do norte.
A vitória e libertação de Tallin ocorre em meio a fuga da 20º Divisão das SS local que deixa para trás uma cidade totalmente devastada e com mais da metade da população morta devido ao Estado policial mantido pelos nazistas, sem contar que grande parte da população não estoniana foi praticamente exterminada, muitos alemães permanecem no entanto no local e colaboram com o governo soviético. O reestabelecimento da República Socialista Soviética da Estônia ocorre no mesmo mês assim como uma reorganização do Estado.
Quanto a 20º Divisão das SS continuou na luta pela ''libertação'' da Estônia até quase o fim da guerra, foi totalmente dissolvida em Maio de 1945 quando os nazistas assinam a capitulação.
Embora seja um tema muito polêmico a revisão da história da Segunda Guerra Mundial nos Estados do Mar Báltico e em muitos países da ex-URSS tem causado extremo temor pelo renascimento do nazifascismo na região. Principalmente a partir do ano de 2012 quando o parlamento estoniano reconheceu como heróis da libertação da Estônia todos aqueles que combateram pela libertação da Estônia, sejam de qual partidarismo ou militância política fossem, ou seja, estão dentro até os nazistas da 20º Divisão das SS que ''lutaram pela independência'' da Estônia. Embora seja um tema polêmico demais, ressuscita somente um fantasma perigoso do nazifascismo que nunca havia morrido na Europa e que a passos lentos vai ressuscitando.
Mesmo assim não há como negar que a libertação de Tallinn em setembro de 1944 pelo Exército Vermelho foi decisiva para o povo estoniano local, visto que o governo nazista praticou massacres e o país seria uma colônia dos nazistas e não um Estado, mas isso é outra história.












sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Rosas e canhões: As mulheres na luta contra o nazifascismo


Talvez na postagem onde falou-se sobre os heróis da Grande Guerra Patriótica aqueles leitores com maior atenção tenham percebido que o ranking aqui feito continha um bom número de mulheres que poderia até ter sido maior, mas que não caberia dentro da postagem que ficaria longa demais. Mas o certo é que sem sombra de dúvidas a participação feminina na luta contra o nazifascismo foi outro fator decisivo e que contribuiu sem sombra de dúvidas para até o período posterior a guerra. Visto que 70% dos adultos de sexo masculino pereceram e grande parte das divisões que entraram em Berlim possuíam mulheres, umas até inteiras de pessoas do sexo feminino e de variadas nacionalidades, russas, polonesas, sérvias, polacas, bielorrussas e outras.
A figura feminina na história russa sempre foi forte na política, embora não fosse valorizada com o seu devido valor. Durante o período do Império Russo embora mulheres sofressem opressão por parte dos homens o seu maior imperador, ou imperatriz foi uma mulher. Ekaterina II que reinou entre 1762 e 1796, foi o indivíduo que ficou mais tempo no poder na história russa. Mesmo assim mulheres sofriam forte opressão na sociedade e eram acudidas pelo ortodoxismo da Igreja de certa forma que na época ainda era muito conservadora.
A Revolução de Outubro de 1917 trouxe consigo uma gama de mudanças, e com os comunistas fazendo radicais mudanças na sociedade, a primeira delas foi a abolição da posse masculina sobre a mulher(Embora continuasse no ocidente, e no Brasil até 2003), tal lei foi a maior conquista feminina, isso se não somar-se as demais de ter uma vida social e não mais apenas doméstica, e mesmo a diminuição da carga horária, por que muitas na cidade trabalhavam em fábricas por 12 horas seguidas, agora, porém isso havia mudado e a partir de 1936 com a Constituição deste mesmo ano, todos passaram a trabalhar 7 horas diárias, fosse qual fosse sua função.
No entanto as mulheres também assim como os homens poderiam fazer carreira militar no Exército Vermelho e tornar-se membros do PCUS, Krupskaya era membro de importantes comitês no Partido assim como Alexandra Kollontai. Havia também outras milhares. No Exército Vermelho havia batalhões só formados pelo sexo feminino no início da década de 1940, embora muitas ainda desejassem passar longe e achavam que ''isso não era coisa de mulher''.
O número de voluntárias no Exército Vermelho era enorme, só no fim da década de 1930 chegava perto de meio milhão, durante a Grande Guerra Patriótica estima-se que 800.000 mulheres combateram pelo Exército Vermelho. As personagens que mais se destacaram na guerra já foram colocadas no post sobre os heróis da Grande Guerra Patriótica. Lydia Litvyak, notavel aviadora do Exército Vermelho e que lutou em Stalingrado; Maria Oktyabrskaya primeira mulher a dirigir um tanque no mundo, e foi o T-34; Lyudmila Pavlichenko a maior Franco-atiradora do mundo na época e outras.
No entanto existem estimativas de haverem mais mulheres do que dito, pois exsitem ainda aquelas que receberam medalhas por atuarem na ajuda médica aos combatentes da guerra, as milhares de agentes do Komsomol, as Partizans, pois também lutaram nestes batalhões não só no Exército Vermelho. Muitas mulheres participaram direta e indiretamente na URSS na vitória sobre o nazifascismo e principalmente na reconstrução da sociedade soviética que se via totalmente destruída no oeste, e mais da metade dos homens estavam mortos. Na União Soviética que se segue a Segunda Guerra mundial havia mais mulheres na industria do que homens assim como em qualquer lugar na URSS, havia 1 homem para cada 5 mulheres, o que viria somente a estabilizar-se no ano de 1959.
E fotos de mulheres combatendo e seus batalhões é que não faltam. Existem aos milhares, muitas rosas morreram perante os canhões fascistas, mas outras os derrotaram e triunfaram em Berlim. As mulheres contribuíram principalmente na resistência e organização nas cidades cercadas ou ocupadas visto que algumas não eram mortas por serem mulheres, os homens e jovens eram mortos todos. Em Stalingrado e Leningrado as mulheres contribuíram com o racionamento de comida e energia, catavam lenha e trabalhavam nas indústrias dos urais e minas de carvão, sendo tão importantes quanto as que estavam na frente de batalha.
Aqui segue-se no fim deste post algumas fotos de mulheres seus batalhões femininos que combateram contra o nazifascismo pela liberdade das nações da União Soviética