domingo, 21 de setembro de 2014
A libertação de Tallin em setembro de 1944
Tallin em setembro de 1944 já estava ocupada pelos exércitos nazistas da wermacht a aproximadamente quase 3 anos, desde o início da Operação Barbarrossa, e uma das primeiras cidades soviéticas de grande importância a ser ocupadas.
Cidade quase milenar e uma das mais antigas na Europa moderna e contemporânea, Tallinn é uma cidade portuária e importantíssima frente ao Golfo da Finlândia. Ocupada durante anos pelo Império Russo desde a Grande Guerra do Norte a presença germânica nesta assim como em todas as Repúblicas atuais no Mar Báltico é muito forte.
No fim da Primeira Guerra Mundial após a Revolução Russa a Estônia manteve-se assim como os demais países Bálticos como redutos que sobraram dos russos brancos. Grande parte da liderança destes países, e pode-se dizer o mesmo também da Finlândia exerciam altas funções no governo monárquico do Czar Nicolau II e tinham ainda o sonho da restauração da Rússia e a derrubada dos bolcheviques do poder, aclamados como criminosos e usurpadores do poder na época, nunca foram chamados de soviéticos antes da segunda guerra, sempre foram chamados de russos vermelhos, ou russos soviéticos esquecendo-se das demais nacionalidades como já dito em outras postagens.
Com o Pacto de não agressão germano-soviético de 1939 em virtude do perigo de uma guerra iminente com Hitler, Stálin havia preparado em volta de toda a fronteira soviética com os nazistas defesas e fortes para resistirem o quanto pudessem os ataques alemães, no entanto havia 2 perigos, um nos Estados Bálticos e outro na Finlândia, pois ambos eram redutos de risco de ataque visto que todos os governos eram ou tinham simpatias aos fascistas.
Em meados de 1940 com a latente ascensão do fascismo e o perigo de tomarem poder como foi na Letônia, os estonianos buscam o combate ao fascismo que ganhava muita força na região, os comunistas estonianos lideram então o povo rumo a novas eleições onde os comunistas por meio de um referendo nacional popular revolucionam o país de forma radical. A Estônia neste referendo adere a URSS com o status de República Socialista, quanto as demais Repúblicas, a Lituania desde 1918 mantinha laços com a URSS e só não torna-se parte desta em virtude de setores conservadores que existiam em um governo instável semelhante ao letão, no entanto a divisão interna levou a muitos opositores dos comunistas a se apoiarem nos nazistas e com o perigo de invasão nazista em 1939 e 1940, o governo passa para ação direta e pede proteção a URSS. Já a Letônia que já era uma ditadura desde 1934 com a ascensão de Karlis Ulmanis ao poder viu-se isolado já que grande parte da população apoiava os soviéticos, retirou-se do poder e apoiou os nazistas na guerra posterior, seu neto inclusive torna-se líder da Estônia pós-soviética na década de 1990.
Com a Operação Barbarrossa em andamento rapidamente a Estônia foi ocupada com a colaboração de muitos antigos líderes do exército branco. Johan Pitka foi um dos principais colaboradores da ocupação alemã que recebe ajuda fraternal dos estônianos no estrangeiro após a adesão da Estônia a URSS em 1940. A região foi uma das principais pontas de lança para os ataques ao norte da URSS, a região de Leningrado e mesmo o cerco da cidade se deu pela ofensiva nazista apoiada pelos nazistas estonianos.
Em 1943 após a derrota dos exércitos nazistas no Sul, Stalingrado, centro Bielorrússia e Ucrânia, em 1944 o norte era o objetivo principal de libertação especialmente Leningrado que já resistia heroicamente três anos de cerco. Libertada em 27 de janeiro de 1944 pelos líderes militares do Exército Vermelho Kliment Voroshilov, Giorgi Zhukov e Leonid Govorov seguiram a ofensiva rumo a libertação dos países bálticos para a libertação destes ainda em 1944. No entanto a tarefa não seria simples visto que o grupamento norte da Wermacht sediada no Báltico tinha ainda apoio da Finlândia.
Durante os anos de ocupação nazista o terror foi instaurado na região, além de líderes comunistas terem sido perseguidos, muitos estonianos que se consideravam da raça ariana perseguiram os russos, bielorrussos e poloneses que habitavam no Mar Báltico e na Estônia. Praticou-se largamente o extermínio de grande parte da população local, visto que muitos eram russos ainda nesta época, nos anos de 1941 e 1942 a ordem era colonizar estas regiões que fariam parte do ''espaço vital alemão''. Por isso muitos alemães lá permanecem mesmo após a guerra, não somente na Estônia como Letônia e Lithuania, para facilitar a administração local foram fundadas em todos os territórios ocupados várias divisões da Shutsztaffel(SS), na Estônia por exemplo foi fundada a 20º Divisão de garnadeiros da Waffen SS ou 1º Divisão Estoniana.
A 20º Divisão de granadeiros da Waffen SS era constituído não só por estonianos colaboracionistas, mas
também por lithuanos e outros combatentes que faziam parte desta divisão semelhante a Divisão Azul constituída por portugueses e espanhóis que lutaram no cerco de Leningrado. Mas diferentemente deles, esta 20º Divisão não pertencia a qualquer país como alegam muitos estonianos, mas a Alemanha nazista que fundou esta divisão para combater neste local comunistas e a população que resistisse a ocupação. Seu líder era Franz Augsberger que havia apoiado a Anexação da Áustria em 1938, Anchluss.
Na Batalha de Narva quando Govorov entrou na Estônia a 20º Divisão defendeu a região sob a bandeira de independencia estoniana, mas como não havia líder de Estado e esta era uma República Socialista Soviética que aderiu a URSS em 1940 a luta deveria continuar até a expulsão dos nazistas, pois era território soviético. Liderados por Johan Pitka que havia sido um marinheiro importante durante o Czarismo, e lutou como russo branco na guerra civil, a divisão ''estoniana'' das SS foi fácilmente derrotada devido a seu pequeníssimo contingente militar que também não era um dos melhores.
Em agosto de 1944 numa tentativa de assegurar a paz com a URSS o governo colaboracionista proclama a independencia da Estônia como governo fantoche dos nazistas a fim de conseguir a paz semelhantemente a Finlândia e garantir no poder o presidente estoniano Juri Uluots. No entanto fracassada esta manobra dos líderes locais garantiu mais uma derrota aos fascistas. Uluots foge covardemente para a Suécia e quanto a Johan Pitka, este acaba fugindo para a Finlândia, aonde se exila até morrer no mesmo ano de 1944 sem mesmo que a União Soviética soubesse do acontecido.
Em setembro de 1944 o governo local dos nazistas se retira de Tallin e deixa só não somente a 20º Divisão com poucas tropas para a defesa da capital como deixa sós os líderes da Estônia que já haviam sido abandonados por seus próprios líderes, com o apoio da população local nas contra informações a favor dos soviéticos rapidamente tomaram a decisão de capturarem Tallin que era o principal reduto dos Exército do norte.
A vitória e libertação de Tallin ocorre em meio a fuga da 20º Divisão das SS local que deixa para trás uma cidade totalmente devastada e com mais da metade da população morta devido ao Estado policial mantido pelos nazistas, sem contar que grande parte da população não estoniana foi praticamente exterminada, muitos alemães permanecem no entanto no local e colaboram com o governo soviético. O reestabelecimento da República Socialista Soviética da Estônia ocorre no mesmo mês assim como uma reorganização do Estado.
Quanto a 20º Divisão das SS continuou na luta pela ''libertação'' da Estônia até quase o fim da guerra, foi totalmente dissolvida em Maio de 1945 quando os nazistas assinam a capitulação.
Embora seja um tema muito polêmico a revisão da história da Segunda Guerra Mundial nos Estados do Mar Báltico e em muitos países da ex-URSS tem causado extremo temor pelo renascimento do nazifascismo na região. Principalmente a partir do ano de 2012 quando o parlamento estoniano reconheceu como heróis da libertação da Estônia todos aqueles que combateram pela libertação da Estônia, sejam de qual partidarismo ou militância política fossem, ou seja, estão dentro até os nazistas da 20º Divisão das SS que ''lutaram pela independência'' da Estônia. Embora seja um tema polêmico demais, ressuscita somente um fantasma perigoso do nazifascismo que nunca havia morrido na Europa e que a passos lentos vai ressuscitando.
Mesmo assim não há como negar que a libertação de Tallinn em setembro de 1944 pelo Exército Vermelho foi decisiva para o povo estoniano local, visto que o governo nazista praticou massacres e o país seria uma colônia dos nazistas e não um Estado, mas isso é outra história.
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