quinta-feira, 16 de outubro de 2014
70 anos da libertação da Sérvia pelo Exército Vermelho
No próximo dia 20 de outubro, completar-se-á sete décadas da libertação por parte do Exército Vermelho da cidade de Belgrado, capital da Sérvia, importantíssimo Estado hoje parceiro da Federação Russa. Naquela ocasião a libertação da Sérvia foi importante e deixou de forma bem latente assim como mais uma derrota dos nazistas frente aos Partizans que seu império estava ruindo
Embora não faça parte da URSS, a Yugoslávia era parte de mais um objetivo para libertação na Grande Guerra Patriótica, pois o povo irmão, os sérvios viveram sob uma cruel ditadura do nazifascista líder da Ustasha, Ante Pavelic que como uma marionete da Alemanha Nazista praticou inúmeros crimes hediondos demais na Sérvia.
Até 1941 a Iugoslávia que era um jovem Estado formado logo após a Grande Guerra de 1914-1919 se via em contradições internas entre as nacionalidades, os croatas que eram católicos eram simpatizantes ao nazi-fascismo, enquanto os sérvios eram ortodoxos, mas não simpatizantes ao governo soviético, embora eslavos, o que os deixava em posição inferior na cadeia de raças dos nazistas. Embora o Estado fosse uma monarquia todas essas contradições e pressões foram enormes sobre o rei.
Em 1941 o reino é invadido, a Croácia contribui para a ocupação nazista enquanto o rei foge para Londres assim como todos os demais líderes de Estados invadidos e ocupados pela Alemanha Nazista no leste. A Croácia submete um reino de terror em toda a Iugoslávia, milhares de eslavos passaram a ser mortos, outros forçados a converterem-se ao catolicismo com o envio de milhares de padres sob a orientação de Pio XII para a conversão dos eslavos.
O governo croata recebia apoio tanto do governo nazista como da própria Igreja Católica, John Cornwel em seu livro o Papa de Hitler, discorre bem do assunto assim como muitos outros pesquisadores. Santiago Camacho, por exemplo, fala em inquisição católica em pleno século XX. Pois o Papa chegou mesmo a receber a Ante Pavelic em Roma onde recebeu a missão de converter os eslavos durante a Grande Cruzada Contra o Bolchevismo.
No entanto as derrotas sucessivas para a URSS acumuladas entre 1941 e 1943 fizeram estremecer o domínio nazista na região. O Cardeal-arcebispo Alouysios Stepinac percebendo tal tenta um acordo com a Igreja para inocentar-se e muda de lado no conflito sob orientação papal. No entanto anos depois Tito revelaria os crimes dos católicos na região embora jamais tivessem sido reconhecido.
Jozip Broz, Tito que já havia lutado na Guerra Civil Espanhola contra as forças nazi-fascistas entre 1936 e 1939 também formou uma coalizão anti-ocupação na Iugoslávia e teve sucesso com o surgimento dos Partizans sob sua orientação, embora não lutassem sós, tinham apoio logístico e material tanto da URSS quanto dos ocidentais, pois recebeu apoio do rei iugoslavo Pedro II, embora logo depois abolisse a monarquia no Estado.
Logo após a libertação da cidade de Sófia em 9 de setembro de 1944, o Exército Vermelho partia em direção a Iugoslávia com o já estabelecido governo democrático popular búlgaro. No entanto não seria uma batalha fácil, pois os húngaros eram os únicos ao lado dos croatas ainda presentes ao lado da Alemanha nazista m fins de 1944 na Europa excetuando-se a Itália. A fortaleza construída em Belgrado foi para uma resistência longa conta o João Claudio que:
''No dia 12 o avanço rumo a Belgrado recomeçou com força máxima. O inimigo gozava de grande poder de artilharia e lutava com fúria. O terreno próximo ao Monte Avala, nas cercanias da capital era pantanoso, causando dificuldade à progressão''
(PITILLO, João Claudio Platenik. Aço Vermelho- Os segredos da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial)
E mais o comando nazista temendo pelo pior ainda decretou sítio na capital Iugoslava, um verdadeiro terror instaurou-se na cidade. E embora contasse ainda com a ajuda dos húngaros o governo de Pavelic já não tinha sustentação dos nazistas que no fim de 1944 protegiam suas bases petrolíferas restantes na Hungria sob o regime de Horthy. Não seria fácil uma vitória em Belgrado e realmente não foi.
Com a estratégia do salve-se quem puder, os exércitos nazistas bateram em retirada. No dia 15 de outubro Belgrado ainda não estava livre, por isso a luta se arrastou por mais 5 dias. Somente em 20 de outubro os Partizans de Tito adentram Belgrado abandonada e enfraquecida. Neste dia foram feitos vários prisioneiros que se renderam. Pavelic fugiu para Áustria enquanto os demais fugiram ou foram capturados e presos pelos partizans. Mesmo assim muitos se esconderam e fugiram entre os nazistas da Ustasha.
A libertação da Iugoslávia em 1944 custou caro ao Exército Vermelho, só para a libertação da Sérvia oriental custou 3.500 soldados mortos e 4.500 feridos. Mesmo assim foi muito importante na Grande Guerra Patriótica, a libertação da Sérvia foi uma das mais importantes, visto que desestabilizou os Bálcãs e forçou os nazistas a recuarem para o norte na Áustria e o oeste da Hungria.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
A Batalha de Moscou Parte I: Operação Tufão
Essa será a primeira de uma série de três postagens da batalha mais importante da Grande Guerra Patriótica, conforme destacado, esta primeira será especificamente focada na Operação Tufão. Denominada assim para que fosse rápida e arrasadora sobre Moscou, seus objetivos eram principalmente cercar a cidade e capturá-la em um mês no mínimo, o que não ocorre, pois a cidade resistiu e o inverno chegou. Paralisando as operações de guerra, fazendo a resistência da cidade a primeira derrota da Blitzkrieg nazista de grande importância, visto que falha em seu objetivo de capturar Moscou.
A Operação Tufão teve início oficialmente em 1 de outubro de 1941 quando as tropas de Fedor Von Beck que faziam parte do grupo de exércitos do centro partem para Moscou após a queda de Smolensk.
Como foi colocado no post anterior, Smolensk era uma cidade chave, sua captura abria caminho para as portas de Moscou, para Hitler embora fosse custosa a vitória em Smolensk, acreditava que os soviéticos já não possuíam mais exércitos e nem organização capaz de defender Moscou, a sua euforia como a de muitos nazistas era enorme.
Já em Smolensk e em outras cidades na Bielorrússia havia sido latente que os nazistas não teriam capacidade de vencer sós, pois o Japão que tinha a missão de invadir a União Soviética pela Manchúria não o fez no extremo oriente, o que deixava o Estado lutando em só uma frente e garantia toda a força concentrada contra os nazistas. A resistencia em Smolensk comprovou que a máquina nazista não era invencível e irresistível, podendo ser parada e vencida, visto que houve um contra ataque embora sem muito sucesso do Exército Vermelho.
Em outubro, em Moscou não se falava e nem pensava em outro assunto a não ser a aproximação dos nazistas, todos estavam em pânico, embora a propaganda do Partido Comunista procurasse acalmá-los, mesmo assim a população se preparou para a batalha pela defesa da capital, foram construídas inúmeras barricadas, voluntários de todas as Repúblicas Socialistas Soviéticas juntavam-se aos russos nessa decisiva batalha pela vida da própria URSS.
No dia 15 começam os bombardeios a capital , a primeira a sofrer bombardeio é a região de Volokolamsk que se localiza no Oblast moscovita. A defesa nessas regiões foi heróica, Ivan Panfilov foi um destes heróis que lutaram com bravura na defesa de Moscou, por sua vez designado para a defender Moscou, Giorgi Zhukov foi nomeado marechal.
Zhukov com o Komsomol foram os principais responsáveis pela organização da defesa em Moscou, foram feitas várias barricadas nas cidades próximas ao Kremlin, milícias locais de voluntários foram criadas, mesmo assim muitos locais foram evacuados e a muita gente foge da cidade temendo a invasão alemã e queda de Moscou. Inclusive o governo que passou para a parte leste da cidade de Kuybychev (Atualmente Samara). No entanto alguns membros do Partido e mais corajosamente Stálin se mantiveram na capital soviética e resistiram vitoriosamente.
As principais forças de defesa da URSS presentes na capital eram a Frente Ocidental Soviética, Frente de Reserva, Frente de Briansk e Frente Kalinin. Todas estas liderados por Giorgi Zhukov, Aleksander Vassilievskiy, Bóris Shaposhnikov, Ivan Konev, Yakov Tcherevchenko e outros. Todos condecorados como heróis com todas as honrarias possíveis a qualquer um bravo herói na URSS.
A população moscovita resistiu ainda mais heroicamente e em condições muito precárias devido a falta de telecomunicações e a chegada do inverno, embora não tivesse faltado energia na cidade, os alimentos e outros recursos foram racionalizados por pelo menos 2 meses, entre novembro e dezembro. Embora tivesse sido tempos difíceis, o povo moscovita foi bravo e resistiu com bravura talvez nunca antes vista na URSS desde a Guerra Civil entre 1918 e 1920.
A vitória foi alcançada em dezembro após uma ofensiva feita pelo Exército Vermelho liderado por Zhukov e de quebra retirou a ameaça da queda da capital perante os nazistas. Essa foi a primeira derrota dos nazistas. Stálin notadamente em 7 de novembro havia dito com toda a boa fé que a vitória do Exército Vermelho seria certa devido ao desgaste dos nazistas, e estava correto. Seu acerto foi tão enorme que pode mesmo presenciar os frutos de seu discurso ao vivo, o que é para poucos.
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