domingo, 24 de agosto de 2014
As nacionalidades soviéticas na luta contra o nazifascismo
Quem nunca já ouviu falar na expressão Rússia Soviética venceu a Segunda Guerra, ou a Rússia Soviética na Guerra Fria que dominava mais da metade do mundo. No entanto cabe o ressaltamento de que tais expressões além de erradas contém um enorme equívoco preonceituoso contra não somente os russos taxados de imperialistas, mas apaga na URSS a existencia das demais nacionalidades.
Antes de se iniciar a abordagem deve-se explicar por que a URSS não se trata somente da Rússia e muito menos de seu imperialismo, mas de todas as 15 Repúblicas soviéticas. De acordo com a constituição de 1924 que deu vida institucional a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, pela primeira vez na história de um país multinacional como a União Soviética o era, todas as nacionalidades possuiriam status republicano, e quanto as pequenas etnias estas possuiriam repúblicas dentro das respectivas subdivisões, isto ocorria pela primeira vez, nenhuma nação o havia feito antes.
Sem contar que de acordo com esta mesma Constituição e a posteriormente de 1936 que ampliaria estes direitos garantia autonomia das Repúblicas em relação a União. Todas as nacionalidades tinham o mesmo status, havia na URSS para administrar os problemas nacionais o SOVNARKOM(Comissariado do Conselho Popular da URSS)(Peço perdão caso a tradução não seja esta, mas espero que o sentido seja o mesmo).
O SOVNARKOM era um orgão da União, mas também subordinado ao Partido, e existente em cada uma das subdivisões nacionais da União Soviética. Posteriormente viria a ser substituído pelo Conselho de Ministros da União em 1946 que teria as mesmas atribuições. Portanto as nacionalidades tinham voz na União Soviética, e chamá-la de Rússia soviética é tão errado que nem mesmo faz sentido.
Durante a Grande Guerra Patriótica embora houvessem rebeliões locais contra os governos socialistas de muitas repúblicas locais como na Ucrânia e Cáucaso, nenhum dos movimentos foi levado a cabo pelo grosso da população, mas por líderes fascistas locais. Stepan Bandera que é o mais famoso na Ucrânia não foi o primeiro e nem será o último, pois existem muitos líderes fascistas nas demais Repúblicas, no entanto é notável o número de antigos generais russos que contribuiram para a invasão a URSS em 1941, muitos do antigo quadro do Império Russo e que lutaram contra o governo soviético na Guerra Civil Russa. Konstantin Sakharov, um dos antigos generais do Czarismo foi conselheiro de guerra de Hitler quanto a invasão a URSS.
Visto todas estas dificuldades impostas a sociedade soviética que se viu também traída por inúmeros desertores para o nazismo como ocorreu na Grande Guerra Patriótica, não seria fácil vencer o nazismo, seria necessária antes de tudo uma enorme coalizão e resistência das nacionalidades da URSS que resistiram bravamente.
Durante os primeiros meses de combate na Operação Barbarrossa Hitler deixou bem claro qual era a missão nazista no leste, exterminar Moscou do mapa assim como todos os eslavos para a colonização germânica, eram os extermínios que se iniciavam. Notadamente se houver do leitor um maior senso crítico de análise dá para perceber-se que não a toa os principais campos de extermínio encontram-se no leste, e mais não houve campos de extermínio na França, Bélgica ou qualquer país do ocidente da Europa, mas somente no leste(Favor não confundir Campos de Concentração com Campos de Extermínio). As maiores baixas e mortes eram no leste, isso não era a toa, era necessário o fim dos povos habitantes da região que deveriam dar sua terra aos povos arianos, o mesmo deveria se dar na União Soviética, as nações soviéticas sabiam perfeitamente disto.
Na Ucrânia por exemplo foram exterminados 1/3 da população, na Polônia 2/3, sem contar os demais Estados, Hungria e Romênia que eram fascistas e lutaram contra a URSS. Só no Caucaso houve uma série de extermínios de populações locais, isso leva a medidas mais radicais do governo soviético que se ve obrigado a tomar a medida de retirar a população da frente de guerra, já que esta é exterminada sem dó pelos nazistas, muitos foram deportados para leste, além dos urais onde ficaram seguros dos ataques da Luftwaffe e dos campos de extermínio das SS. Em toda a URSS os 4 anos de guerra fariam 50 milhões de mortes, 70% dos homens pereceram segundo informações do governo soviético, havia 1 homem para cada 5 mulheres em todo o Estado.
Mesmo assim muitos se negaram a partir entre mulheres, homens e funcionários do governo e se mantiveram a fim de resistir e defender a sua terra contra os invasores fascistas, na Ucrânia, por exemplo houve uma heróica resistencia em Odessa, Sebastopol segurou por quase um mês os nazistas de partirem em direção a histórica Stalingrado.
Na Bielorrússia foram formados grupos de Partizans sabotadores dos nazistas desde 1941 que danificavam as comunicações e prejudicavam com retardamento ordens dos comandantes. Sem contar os saques. Os Partizans bielorrussos talvez só sejam comparáveis em resistência aos yugoslavos na Segunda Guerra, os russos também participaram decisivamente na guerra, mas grande parte da matéria prima e material humano foi fornecido pelo resto da União. Sem a união dos habitantes da União Soviética jamais a vitória teria ocorrido.
Pensar na Grande Guerra Patriótica sem a contribuição das nacionalidades soviéticas coesas será um erro terrível, tão terrível quanto chamar a União Soviética de Rússia Soviética. Os cidadãos das Repúblicas eram organizados em seus combates locais a partir de instituições como o SOVNARKOM e o Komsomol. O surpreendente de toda a participação das nacionalidades era o voluntarismo(diferente do que se divulga no ocidente), muitos combatentes eram jovens engenheiros, políticos, professores e várias outras profissões, ou muitas mulheres jovens.
O lendário Vassili Zairtzev que se tornou um grande herói a partir dos combates em Stalingrado em 1942 era apenas um trabalhador normal de vida dos Urais e se alista voluntariamente no Exército Vermelho, o mesmo pode se dizer de outros heróis soviéticos da época. O que surpreende é que nenhum deles era político ou pertencia ao Partido Comunista, a maioria eram simples trabalhadores que dedicaram parte de suas vidas defendendo a terra em que moravam assim como seus compatriotas.
Na parte asiática da URSS os muçulmanos habitantes das Repúblicas no Cáucaso foram decisivos, pois guardaram as jazidas de petróleo que manteriam funcionando a industria nos Urais, a resistencia no Azerbaijão assim como em outras regiões foi importante para a sobrevivencia soviética na guerra, isto sem contar os alimentos provindos do Uzbequistão e do Cazaquistão que mantinham nutrido o Exército, não foi a toa que o Secretário Geral do PCUS Josef Stálin em 1941 no seu discurso de 7 de novembro disse em relação a guerra que o Exército Vermelho estava muito mais preparado do que na Guerra Civil 20 anos antes, pois agora tinham alimentos, equipamentos e apoio logístico de todos os habitantes da URSS que estiveram unidos.
Sem a união, participação e o apoio das nacionalidades a vitória sobre o nazifascismo seria impossível por parte da União Soviética. Outra vez citando palavras de Stálin, ele afirma que uma das principais formas de desestabilizar a União Soviética da qual os nazistas utilizaram foi a destruição deste laço unificador entre as nacionalidades, o objetivo de desestabilizar no entanto a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas fracassou visto que as relações amistosas e igualitárias entre todas as nações possibilitaram uma união mais forte que se saiu vitoriosa no combate ao nazifascismo em abril de 1945. Mostrando ao mundo o quão unida e poderosa era a União Soviética.
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